
Conforme o balanço anual da Pesquisa Imobiliária da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (ADEMI-PR), divulgado nesta segunda-feira (2), Curitiba movimentou cerca de R$ 7,4 bilhões em 2025, com a venda de apartamentos novos, mantendo equilíbrio entre oferta e vendas. O estudo, produzido pela Brain Inteligência Estratégica, revela mudanças no perfil da oferta imobiliária: o programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por apenas 5% dos empreendimentos lançados na capital, enquanto os imóveis compactos passaram a concentrar quase metade da produção, o que pode indicar nova dinâmica de demanda e alerta para o acesso à moradia econômica
O que chama atenção é que o número movimentado com a venda de apartamentos novos se manteve mesmo com juros altos e queda de 19% nos lançamentos. Foram pouco mais de 10 mil unidades lançadas e cerca de 10,2 mil vendidas no ano.
“O mercado passou por um ciclo de acomodação dos lançamentos, mas manteve consistência nas vendas, demonstrando maturidade e capacidade de adaptação”, diz Guilherme Werner, líder do grupo de inteligência de mercado da ADEMI-PR.
Baixa presença do Minha Casa, Minha Vida
Apesar de representar cerca de 50% do mercado nacional, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por apenas 5% dos lançamentos em Curitiba em 2025, o que revela um descompasso entre a demanda por moradia acessível e a oferta local. Segundo Guilherme Werner, o alto tíquete médio e a baixa presença do segmento econômico ampliam a procura por aluguel e dificultam o acesso à compra.
Para Maria Eugenia Fornea, presidente da ADEMI-PR, “Curitiba precisa avançar na discussão sobre Habitação de Interesse Social (HIS) e ampliar o olhar para diferentes faixas de renda, garantindo equilíbrio entre desenvolvimento imobiliário e acesso à moradia”.
Geração Z impulsiona intenção de compra
Pesquisa nacional da Brain, baseada em 1.200 entrevistas trimestrais, indica que metade dos brasileiros pretende comprar um imóvel nos próximos dois anos, esse sendo o maior índice da série histórica. A Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) aparece entre os grupos mais interessados, contrariando a ideia de que os jovens priorizam apenas o aluguel.
O que os números revelam
Curitiba continua como o quarto maior mercado imobiliário vertical do país, com 32% das moradias em edifícios. A pesquisa mostra que 2025 fechou com cerca de 11 mil unidades. O ano foi marcado por maior seletividade dos compradores, prazos mais longos de fechamento e cautela diante dos juros.
No cenário macroeconômico, o crédito pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) manteve estabilidade, somando cerca de R$ 324 bilhões, com baixa taxa de desemprego e perspectiva de queda gradual da Selic. Segundo a presidente da ADEMI-PR, o equilíbrio entre lançamentos, vendas e estoque mostra a capacidade de adaptação do setor, que busca diversificar produtos e fortalecer o desenvolvimento urbano sustentável.
FONTE: https://www.bemparana.com.br/noticias/economia/curitiba-movimenta-r-74-bilhoes-em-vendas-de-apartamentos-em-2025/